HYPE: 23º Aniversário do Fogo no Gelo


Qual terá sido a conjuntura astral no dia 29 de Novembro de 1977? Melhor, gostava de saber porque raio as minhas duas bandas de referência são, muito provavelmente as menos comunicativas e porventura as mais antipáticas que já vi ao vivo.
Pixies e Jesus and Mary Chain nunca tiveram de provar a ninguém a qualidade e originalidade do seu som. Surfer Rosa e Psychocandy - goste-se deles ou não - são dois discos maiores na história do rock. Marcaram uma época e mais do que isso, abriram portas para o sucesso de projectos ulteriores. Constate-se com os Nirvana e uma boa parte do rock dos anos 90, mas também, e no caso dos Mary Chain, com os Black Rebel Motorcycle Club, os My Bloody Valentine e tantos outros. "Tomem a semente meus filhos. Colhei com ela aquilo que o nosso tempo não deixou". Seria isto que Black Francis poderia ter dito a Kurt Cobain ou os irmãos Reid a Kevin Shields dos My Bloody Valentine. Coisas do tempo, mas hoje ninguém parece estar muito interessado neles - Pixies e Mary Chain, entenda-se. Datados, reunidos fora de tempo são rótulos que estamos habituados a ouvir quando se fala destas e outras bandas.
Serão os cabelos brancos que me vão aparecendo? Estarei a ficar cota? Nnnããããããããõooo...
Enfim, sinal dos tempos. E se de tempo falamos, convém sublinhar que emerge um novo paradigma de concepção estética e musical no que aos festivais de música diz respeito.
Os anos 90 foram o paradigma da obsessão perfeccionista. Em nome próprio ou encafuadas num qualquer festival de Verão, as bandas tentavam a todo o custo não denunciar as suas próprias falhas ou as falhas técnicas que lhes eram alheias. Disfarçavam-se os pedidos de nivelação sonora deste ou daquele instrumento nas colunas de munição individual, disfarçava-se convincentemente um acorde "ao lado". Saíamos dos concertos com a sensação da quase perfeição (não fossem os aglomerados junto à linha da frente e esta ou aquela cabeça de gigantone que não deixava fruir do prazer que é estar defronte dos músicos que admiramos).
A situação inverteu-se e hoje o erro e a imperfeição são parte integrante do espectáculo.
Pronto, eu confesso. Estive no 2º e 3º dias do SBSR, vi a maior parte das actuações e posso garantir-vos com toda a certeza que os pedidos de subida ou descida de volume na munição foram uma constante durante essas mesmas actuações. Com maior ou menor frequência, os "desavergonhados" viravam-se para o técnico de palco, apontando para um ou outro elemento da banda, gesticulando de uma forma que pode ser considerada como linguagem gestual bilateral – dedo para cima sobe munição, dedo para baixo desce munição.
Por outro lado, o acorde "ao lado" ou o "break" que acaba mais cedo já não é visto com desdém, mas sim com um sorriso. Errar é humano, rapaziada. Aqui há dias o meu amigo Guru dizia-me que o Lars (Metallica) mandou uns quantos "pregos" durante a actuação do primeiro dia de SBSR.
Houve no entanto uma excepção ao que acabo de dizer: Mary Chain. Não vi pedidos de monição mais alta ou mais baixa, mas vi e ouvi muitos erros e algumas bizarrias.
A banda entra em palco e a guitarra de William não toca (cheira-me a esturro do roadie). Três minutos em compasso de espera até à resolução do problema, et voilá, torrentes de distorção para avançar com Never Understand. William vai "ao lado", enquanto o irmão Jim olha com ar reprovador (a distância entre ambos em palco é incrível). Depois, na mítica Some Candy Talking Jim engana-se na letra num momento que facilmente seria remediável. Jim lança um "Fuck. Sorry 'bout that. Let's start again". O erro está lá – como aliás sempre esteve nos Jesus – mas de mau humor, não com os sorrisos dos Bloc Party ou dos Clap Your Hands Say Yeah. Jim é um perfeccionista cáustico e irascível. Um perfeccionista à boa moda dos 90, sem nunca almejar esse estado de "normalidade" ao vivo. Outra coisa não seria de esperar de um homem que diz nunca ter subido sóbrio para o palco desde a formação da banda em 1983 até à sua dissolução em 1998.
Dito isto, são os perfeccionistas mais imperfeitos que já vi ao vivo.
Quem joga no limite corre sempre o risco de ficar engavetado no tempo, mesmo que as desintoxicações de álcool e drogas os mantenham falaciosamente afastados do limbo, mesmo que, se estivesse ébrio ontem durante a sua actuação este tivesse sido muito provavelmente o concerto da minha vida. Assim, não sei bem o que foi. Ainda bem.
Publicado por: Pitta
(texto original em http://rebucadosaleatorios.blogspot.com)
Logo ao arranque, percebe-se que este disco não é mais do mesmo. O que, de início, até desilude um pouco – que bem que sabia mais uma demão naquela camada de melancolia que ficou de “Euphoria Morning”, álbum com que Cornell se estreou em nome próprio, em 1999.
Numa altura em que o mundo da Musica está um pouco “confuso”, visto ser cada vez mais frequente a mistura de diversas influência musicais num só projecto (não que isso tenha algo de mal), é com agrado que verificamos a existência de bandas que pela sua honestidade e dedicação a sonoridades supostamente fora de moda merecem ser ouvidas com toda a atenção.
É o caso dos Germânicos Qntal, colectivo que se estreou em 1992 com um registo homónimo e que passados todos estes anos nos apresenta o seu quinto trabalho intitulado «Silver Swan».
Este disco oferece-nos um bilhete só de ida a tempos ancestrais, onde o ouvinte tem a possibilidade de redescobrir sons perdidos no tempo. Instrumentos tal como o Saz, Ud, Fidel, Tar ou Shalmei fazem parte do universo dos Qntal que, juntamente com o delicioso canto lírico da vocalista Syrah, criam um ambiente absolutamente magico – o que faz dos Qntal uma banda única.
Temas como “Monsieur’ s Departure” ou “Língua Mendax” ilustram bem todo o potencial que «Silver Swan» tem para oferecer a todos os amantes de boa música.
Este é sem duvida um disco recomendado a todo o tipo de público.
Fantástico!!!
Temos uma vizinha nova.
“Delicatessen” deu-lhe o estatuto de culto. E “Amélie” trouxe o reconhecimento internacional. Porém, nos dez anos que intermediaram estes dois marcos do cinema europeu, Jean-Pierre Jeunet não se deixou ficar de braços cruzados. Em 1995, criou, naquela que viria a ser a sua última colaboração com Marc Caro, a delirante “Cidade das Crianças Perdidas”.Fica um vídeo deles ao vivo no SBSR, para conferir as diferenças.



Upa upa puxadote!


Pro Evolution Soccer ManagementOs fãs de títulos como Football Manager e Pro Evolution Soccer 5 estão desapontados. A culpa é de Pro Evolution Soccer Management (PESM), cuja nomenclatura sugere que este é um título orientado para especialistas de futebol, quando na verdade é uma obra algo básica e até incompleta (onde está a Liga portuguesa?). No entanto, não deixa de ser curioso como essa simplicidade e a possibilidade de visualizar as partidas com “bonecos” em vez de “caricas” apelam a pessoas que, como eu, costumam virar a cara ao género. Se for esse o vosso caso, dêem uma espreitadela a PESM.
Autor: Konami Tóquio
Editora: Konami
[Texto editado a partir do original publicado na revista Mega Score, edição 128]
Parabéns Afonso. E obrigadinho.

Inserido nas Festas de Lisboa, o África Festival regressa em 2006 depois do sucesso da edição do ano passado. Desta vez o evento será no Jardim junto à Torre de Belém e contará com nomes bastante sonantes do panorama musical africano. 
Podem visitar a página da banda em: www.mymorningjacket.com
Os Pearl Jam podem ser encontrados em: www.pearljam.com
Piratas ainda mais fantásticos? Um vilão com cara de Cthulhu? Elementos da emblemática série de videojogos Escape From Monkey Island?
Festival Vilar de MourosA mítica localidade de Vilar de Mouros acolherá nos próximos dias 21, 22 e 23 de Julho, mais uma edição do festival homónimo.
21 de Julho
Sepultura
Xutos & Pontapés
Mojave 3
Deluxe
Kussondulola
Soundsista´s
Mofyah Sound System
7 Magníficos
22 de Julho
Lion Roots Sound
Iggy Pop & The Stooges
TAXI
The Datsuns
M.A.U.
Dead Combo
Durutti Column
In Ghetto Sound System
Sativa
7 Magníficos
23 de Julho
Cradle of Filth
Moospell
Soulfly
Mosh
Hundred Reasons
Banda de Poi
Cinemuerte
The Temple
Twentyinchburial
Led On
Phill Case
Bilhete: 35 euros.
De 3 a 6 de Agosto o sul do pais recebe a 10º edição do Festival Sudoeste 2006. Eis o ainda incompleto cartaz:
Palco TMN
3 de Agosto – Gentleman, Mattafix, Brazilian Girls
4 de Agosto – Prodigy, Goldfrapp, TIGA
5 de Agosto – Daft Punk, Skin, Boss AC
6 de Agosto – Zero 7, Xutos & Pontapés
Palco Planeta Sudoeste
3 de Agosto – Seu Jorge
4 de Agosto – Nouvelle Vague
5 de Agosto – Los de Abajo, Who Made Who
6 de Agosto – Final Fantasy, José Gonzales, Rui Vargas
Palco Positive Vibes
4 de Agosto – Max Romeo
5 de Agosto – Sir Giant
6 de Agosto – Anthony B, Israel Vibration
Bilhetes:
Passe de 4 dias (com campismo) – 70 euros
Bilhete de 1 dia (sem campismo) – 40 euros
De 14 a 17 de Agosto a viçosa vila de Paredes De Coura voltará a ceder o seu silencio a grandes nomes (e a outros por confirmar):
14 Agosto
Warren Suicide
Palco Ruby Jazz na Relva
Workshop de Iniciação ao Jazz por Ze Eduardo (aberto a todos)
15 de Agosto
Morrissey
Fischerspooner
Broken Social Scene
White Rose Movement
Madrugada
Gomez
Palco Ruby Jazz na Relva
Zé Eduardo Unit
Palco Ruby Leitura
Isaque Ferreira
A. Pedro Ribeiro
16 de Agosto
Bloc Party
Yeah Yeah Yeahs
Eagles of Death Metal
Members od the Public
Palco Ruby Jazz na Relva
Zé Eduardo Unit
Palco Ruby Leitura
Isaque Ferreira
A. Pedro Ribeiro
17 de Agosto
Bauhaus
The Cramps
!!!
Shout Out Louds
Palco Ruby Jazz na Relva
Insert Coin
Palco Ruby Leitura
Adolfo Luxúria Canibal
Isaque Ferreira
Bilhetes:
1 dia: 40,00€
4 dias: 70,00€
4 dias+Transporte: 84,00€
O Padrinho
O calor abrasador que se fez sentir em Lisboa tornou ainda mais apetecível a ideia de um passeio à beira-rio para ver os concertos do 1º dia do 2º act do SBSR 06.
Os dEUS chegaram pouco depois, cheios de vontade de fazer Lisboa saltar. Apesar de focarem a sua atenção na promoção do seu mais recente álbum “Pocket Revolution”, não perderam a oportunidade para revistar álbuns anteriores com “Instant Street”, “Fell Off The Floor Man”, “Turnpike” e “Suds and Sodas”. Uma excelente continuação de tarde com um público também muito dedicado e descontraído. Mais enérgicos e simbióticos do que na Aula Magna (Concerto que o Aculturar visitou a 4/12/2005) os dEUS estiveram neste festival como peixe na água, de resto algo que os fans sentiram intensamente.
Os The Cult chegaram com um atraso de 40 minutos. Mas ninguém se importou porque o espectáculo foi fantástico. Invulgarmente simpático, Ian Astbury fez várias referências à nossa selecção de futebol e dedicou Eddie a um(a) aniversariante desconhecido(a) entre o público. Revisitaram todos os clássicos e mostraram que velhos, só mesmo os trapos. Uma excelente continuação da “boa onda” que se viveu nesse dia.
Os Keane subiram ao palco ao som de alguns aplausos mas um pouco descontextualizados do resto do cartaz. Apresentaram uma proposta de música diferente do que se tinha ouvido até então, debitando um repertório ameno. Os singles “Everybody's Chaging” e “Somewhere Only We Know” foram recebidos com maior euforia. Colocar os Keane no seio de tanto rock bem disposto não foi a decisão mais inteligente da organização.
Os cabeças de cartaz chegaram uma hora após o previsto.
Agora que voltei à literatura, decidi iniciar-me com uma obra de Voltaire. Chama-se "Cândido" e é um manifesto óptimo-pessimista, uma espécie de Utopia em tons maiores e menores. É uma viagem pelo mundo, mas acima de tudo uma reflexão sobre a condição humana. É a confrontação do espiritual com o material. Tudo isto camuflado por um romance de contornos aparentemente triviais
À frente do seu tempo e por isso altamente recomendável.
posted by Pitta
![]() |
Frank Black será sempre apenas injustamente lembrado como o homem que um dia formou os Pixies e com eles gravou 4 discos geniais. Digo injustamente, na medida em que a prolífica carreira que encetou a solo depois da dissolução da banda em 1993 nunca teve a atenção merecida tanto por parte dos fans de Pixies, mas principalmente por parte da crítica.
Agora e dois anos depois da reunião da mítica banda para uma digressão que parece não ter fim, Frank Black regressa também com um novo registo de originais. Chama-se "Fast Man Raider Man" e estará disponível nas lojas a partir de 19 de Junho.
"Fast Man Raider Man" é a sequência lógica de "Honeycomb", o registo lançado por Black o ano passado, resultado de uma extensa colaboração com músicos considerados autênticas lendas vivas do legado musical do Sul dos E.U.A.
O material contido neste novo registo não andará por isso muito longe daquele que ouvimos em "Honeycomb", se bem que a produção tenha merecido desta vez uma atenção mais cuidada.
Pelas amostras que ouvi em www.myspace.com/fastmanraiderman parece-me que vem aí o melhor material de Black desde "Teenager of the Year" (1994).
Para quem quiser saber mais sobre o novo registo de Black podem consultar a sua página oficial: http://www.frankblack.net/
Os escoceses Belle and Sebastian apresentam-se pela primeira em Portugal para delícia dos fans que, como eu, suspiravam e desesperavam por uma aparição dos trovadores pastoris (agora mais dançáveis) em terras lusas. Poderemos ver e ouvir ao vivo os autores de pérolas como "Tigermilk", "If you`re felling sinister", "The boy with the Arab Strap" ou o mais recente "The Life Pursuit". O preço (único) é de 29 euros. Já imaginaram um imenso prado verde sob néons coloridos e bolas de espelhos à la "Saturday Night Fever"?

Já está nas bancas o primeiro número da revista portuguesa de Aventura e Fantástico
O Editor Rogério Ribeiro escreveu o seguinte aqui:
"Para os que nos têm perguntado pelo próximo nº da BANG!, e para todos os outros, aqui fica um aperitivo. Neste momento a revista está na fase final de produção, e contamos que chegue à caixa-de-correio dos assinantes em meados de Março e às bancas no início de Abril.
Nela poderão encontrar quase 40 páginas de ficção (por opinião dos nossos leitores, subimos das 26 do nº0), por autores internacionais como Michael Moorcock (UK), Rhys Hughes (UK), Frank Roger (Bélgica) e Tobias Buckell (USA) - com um conto premiado com o Prémio Writers of the Future -, e nacionais, como o veterano Luís Filipe Silva, o estreante Vasco Luís Curado e a volta do Sr. Bentley às nossas páginas pela mão da Ágata Ramos.
Esta edição inclui ainda um extenso artigo do crítico João Seixas sobre a "FC Hard" e uma crónica da minha autoria sobre o Fórum Fantástico 2005, assim como entrevistas com a Ágata Ramos e a escritora brasileira Márcia Guimarães, recentemente publicada na colecção Argonauta, e uma resenha de Safaa Dib."